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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010
arthur rimbaud
Alchimie du Verbe
À moi. L'histoire d'une de mes folies.
Depuis longtemps je me vantais de posséder tous les paysages possibles, et trouvais dérisoires les célébrités de la peinture et de la poésie moderne.
J'aimais les peintures idiotes, dessus de portes, décors, toiles de saltimbanques, enseignes, enluminures populaires ; la littérature démodée, latin d'église, livres érotiques sans orthographe, romans de nos aïeules, contes de fées, petits livres de l'enfance, opéras vieux, refrains niais, rythmes naïfs.
Je rêvais croisades, voyages de découvertes dont on n'a pas de relations, républiques sans histoires, guerres de religion étouffées, révolutions de moeurs, déplacements de races et de continents : je croyais à tous les enchantements.
J'inventai la couleur des voyelles ! - A noir, E blanc, I rouge, O bleu, U vert. - Je réglai la forme et le mouvement de chaque consonne, et, avec des rythmes instinctifs, je me flattai d'inventer un verbe poétique accessible, un jour ou l'autre, à tous les sens. Je réservais la traduction.
Ce fut d'abord une étude. J'écrivais des silences, des nuits, je notais l'inexprimable. Je fixais des vertiges.
À moi. L'histoire d'une de mes folies.
Depuis longtemps je me vantais de posséder tous les paysages possibles, et trouvais dérisoires les célébrités de la peinture et de la poésie moderne.
J'aimais les peintures idiotes, dessus de portes, décors, toiles de saltimbanques, enseignes, enluminures populaires ; la littérature démodée, latin d'église, livres érotiques sans orthographe, romans de nos aïeules, contes de fées, petits livres de l'enfance, opéras vieux, refrains niais, rythmes naïfs.
Je rêvais croisades, voyages de découvertes dont on n'a pas de relations, républiques sans histoires, guerres de religion étouffées, révolutions de moeurs, déplacements de races et de continents : je croyais à tous les enchantements.
J'inventai la couleur des voyelles ! - A noir, E blanc, I rouge, O bleu, U vert. - Je réglai la forme et le mouvement de chaque consonne, et, avec des rythmes instinctifs, je me flattai d'inventer un verbe poétique accessible, un jour ou l'autre, à tous les sens. Je réservais la traduction.
Ce fut d'abord une étude. J'écrivais des silences, des nuits, je notais l'inexprimable. Je fixais des vertiges.
Quinta-feira, 11 de Março de 2010
ode ao fundamentalismo
roubado aqui
"acho muito importante os movimentos radicais como as guerrilla girls. sem radicalismo vamos definhando devagar. não acredito que cada uma das guerrilla girls seja totalmente e no seu íntimo tão radical como o movimento em si. assim como não é bom que existam muito mais realizadores homens do que mulheres, também não faria sentido um movimento artístico como as GG que fomenta uma arte exclusivamente feminina. no entanto é a melhor forma de essa arte feminina ser vista. é preciso sermos radicais para sermos vistas, os homens não precisam disso, são naturalmente privilegiados pelos meios culturais, sociais, etc. quanto aos realizadores homens parece-me que o movimento é semelhante em todo o lado (literatura, pintura, etc) onde havendo poucas mulheres as que são boas são também poucas. mas isso deve-se a um processo cultural onde as mulheres não vingavam e inverter esse processo (porque acredito que hoje em dia já podem vingar, ainda que com limitações) são necessários muitos e muitos anos. nos anos 50 quase não havia mulheres nas faculdades. e 60 anos não é nada para um processo deste género... não acredito que existam áreas artísticas propícias a um determinado género. acredito sim que cada género manifesta de forma muito diferente a sua arte."
"acho muito importante os movimentos radicais como as guerrilla girls. sem radicalismo vamos definhando devagar. não acredito que cada uma das guerrilla girls seja totalmente e no seu íntimo tão radical como o movimento em si. assim como não é bom que existam muito mais realizadores homens do que mulheres, também não faria sentido um movimento artístico como as GG que fomenta uma arte exclusivamente feminina. no entanto é a melhor forma de essa arte feminina ser vista. é preciso sermos radicais para sermos vistas, os homens não precisam disso, são naturalmente privilegiados pelos meios culturais, sociais, etc. quanto aos realizadores homens parece-me que o movimento é semelhante em todo o lado (literatura, pintura, etc) onde havendo poucas mulheres as que são boas são também poucas. mas isso deve-se a um processo cultural onde as mulheres não vingavam e inverter esse processo (porque acredito que hoje em dia já podem vingar, ainda que com limitações) são necessários muitos e muitos anos. nos anos 50 quase não havia mulheres nas faculdades. e 60 anos não é nada para um processo deste género... não acredito que existam áreas artísticas propícias a um determinado género. acredito sim que cada género manifesta de forma muito diferente a sua arte."
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Artaud

"Não podemos viver eternamente redeados de morte e de mortos. E se ainda restam preconceitos há que destruí-los. "O dever", digo bem, "O DEVER" do escritor, do poeta não é encerrar-se cobardemente num texto, num livro, numa revista, donde não mais se libertará, mas pelo contrário sair para fora para sacudir, para atacar o espírito público. Senão para que serve? Para que nasceu?"
Domingo, 24 de Maio de 2009
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Le Comité Invisible
"Saboter avec quelque conséquence la machine sociale implique aujourd'hui de reconquérir et réinventer les moyens d'interrompre ses réseaux. Comment trouver les points faibles des réseaux informatiques, comment brouiller des ondes radios et rendre à la neige le petit écran ? A chaque réseau ses points faibles, ses noeuds qu'il faut défaire pour que la circulation s'arrête, pour que la toile implose" suivies d'un "Il n'est pas question d'occuper, mais d'être le territoire". Sur la question de la violence et de la lutte armée, ils ont également pu lire ceci: "Il n'y a pas d'insurrection pacifique. Les armes sont nécessaires: il s'agit de tout faire pour en rendre l'usage superflu", et en conclusion: "Rien ne paraît moins probable qu'une insurrection, mais rien n'est plus nécessaire".
vale a pena ler tudo, aqui
vale a pena ler tudo, aqui
Domingo, 17 de Maio de 2009
Sem medo das palavras, Sylvia Plath foi sempre mal comportada
Daddy
You do not do, you do not do
Any more, black shoe
In which I have lived like a foot
For thirty years, poor and white,
Barely daring to breathe or Achoo.
Daddy, I have had to kill you.
You died before I had time---
Marble-heavy, a bag full of God,
Ghastly statue with one gray toe
Big as a Frisco seal
And a head in the freakish Atlantic
Where it pours bean green over blue
In the waters off the beautiful Nauset.
I used to pray to recover you.
Ach, du.
In the German tongue, in the Polish town
Scraped flat by the roller
Of wars, wars, wars.
But the name of the town is common.
My Polack friend
Says there are a dozen or two.
So I never could tell where you
Put your foot, your root,
I never could talk to you.
The tongue stuck in my jaw.
It stuck in a barb wire snare.
Ich, ich, ich, ich,
I could hardly speak.
I thought every German was you.
And the language obscene
An engine, an engine,
Chuffing me off like a Jew.
A Jew to Dachau, Auschwitz, Belsen.
I began to talk like a Jew.
I think I may well be a Jew.
The snows of the Tyrol, the clear beer of Vienna
Are not very pure or true.
With my gypsy ancestress and my weird luck
And my Taroc pack and my
Taroc packI may be a bit of a Jew.
I have always been sacred of you,
With your Luftwaffe, your gobbledygoo.
And your neat mustache
And your Aryan eye, bright blue.
Panzer-man, panzer-man, O You----
Not God but a swastika
So black no sky could squeak through.
Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you.
You stand at the blackboard, daddy,
In the picture I have of you,
A cleft in your chin instead of your foot
But no less a devil for that, no not
Any less the black man who
Bit my pretty red heart in two.
I was ten when they buried you.
At twenty I tried to die
And get back, back, back to you.
I thought even the bones would do.
But they pulled me out of the sack,
And they stuck me together with glue.
And then I knew what to do.
I made a model of you,
A man in black with a Meinkampf look
And a love of the rack and the screw.
And I said I do, I do.
So daddy, I'm finally through.
The black telephone's off at the root,
The voices just can't worm through.
If I've killed one man, I've killed two---
The vampire who said he was you
And drank my blood for a year,
Seven years, if you want to know.
Daddy, you can lie back now.
There's a stake in your fat black heart
And the villagers never liked you.
They are dancing and stamping on you.
They always knew it was you.
Daddy, daddy, you bastard, I'm through.
Sylvia Plath
You do not do, you do not do
Any more, black shoe
In which I have lived like a foot
For thirty years, poor and white,
Barely daring to breathe or Achoo.
Daddy, I have had to kill you.
You died before I had time---
Marble-heavy, a bag full of God,
Ghastly statue with one gray toe
Big as a Frisco seal
And a head in the freakish Atlantic
Where it pours bean green over blue
In the waters off the beautiful Nauset.
I used to pray to recover you.
Ach, du.
In the German tongue, in the Polish town
Scraped flat by the roller
Of wars, wars, wars.
But the name of the town is common.
My Polack friend
Says there are a dozen or two.
So I never could tell where you
Put your foot, your root,
I never could talk to you.
The tongue stuck in my jaw.
It stuck in a barb wire snare.
Ich, ich, ich, ich,
I could hardly speak.
I thought every German was you.
And the language obscene
An engine, an engine,
Chuffing me off like a Jew.
A Jew to Dachau, Auschwitz, Belsen.
I began to talk like a Jew.
I think I may well be a Jew.
The snows of the Tyrol, the clear beer of Vienna
Are not very pure or true.
With my gypsy ancestress and my weird luck
And my Taroc pack and my
Taroc packI may be a bit of a Jew.
I have always been sacred of you,
With your Luftwaffe, your gobbledygoo.
And your neat mustache
And your Aryan eye, bright blue.
Panzer-man, panzer-man, O You----
Not God but a swastika
So black no sky could squeak through.
Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you.
You stand at the blackboard, daddy,
In the picture I have of you,
A cleft in your chin instead of your foot
But no less a devil for that, no not
Any less the black man who
Bit my pretty red heart in two.
I was ten when they buried you.
At twenty I tried to die
And get back, back, back to you.
I thought even the bones would do.
But they pulled me out of the sack,
And they stuck me together with glue.
And then I knew what to do.
I made a model of you,
A man in black with a Meinkampf look
And a love of the rack and the screw.
And I said I do, I do.
So daddy, I'm finally through.
The black telephone's off at the root,
The voices just can't worm through.
If I've killed one man, I've killed two---
The vampire who said he was you
And drank my blood for a year,
Seven years, if you want to know.
Daddy, you can lie back now.
There's a stake in your fat black heart
And the villagers never liked you.
They are dancing and stamping on you.
They always knew it was you.
Daddy, daddy, you bastard, I'm through.
Sylvia Plath
Sábado, 16 de Maio de 2009
Cesariny
Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é. Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido, mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver de um homem morto livre pode sair acentuado mau cheiro - nunca sairá um escravo.
Do cadáver de um homem morto livre pode sair acentuado mau cheiro - nunca sairá um escravo.
Terrorismo Poético
Capítulo de "Caos, os Panfletos do Anarquismo Ontológico" (parte um de "Z. A. T."),
de Hakim Bey
ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas. Espetáculos pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos- telúricos como bizarros artefactos alienígenas espalhados em Parques Nacionais. Arromba casas mas, ao invés de roubar, deixa objectos Poético-Terroristas. Rapta alguém e fá-lo feliz. Escolhe alguém aleatoriamente e convence-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilómetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaí, ou uma coleção de manuscritos alquímicos. Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, & talvez, como resultado, seja levado a procurar uma forma mais intensa de viver.
Prega placas comemorativas em locais (públicos ou privados) onde experimentaste uma revelação ou tiveste uma experiência sexual particularmente especial, etc.
Anda nu por aí.
Organiza uma greve na tua escola ou local de trabalho, com a justificativa de que não estão a ser satisfeitas as tuas necessidades de indolência & beleza espiritual.
A Arte do grafitti emprestou alguma graça à metros horrendos & rígidos monumentos públicos. A arte Poético-Terrorista também pode ser criada em locais públicos: poemas rabiscados em casas de banho de tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte distribuída em pára-brisa de carros estacionados, Slogans em Letras Grandes em muros de playgrounds, cartas anónimas enviadas a destinatários aleatórios ou escolhidos (fraude postal), transmissões piratas de rádio, cimento fresco...
A reacção da audiência ou o choque estético produzido pelo Terrorismo Poético deve ser pelo menos tão forte quanto a emoção do terror: nojo poderoso, excitação sexual, admiração supersticiosa, inspiração intuitiva repentina, angústia dadaísta - não importa se o Terrorismo Poético é direcionado a uma ou a várias pessoas, não importa se é "assinado" ou anónimo; se ele não muda a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.
O Terrorismo Poético é um acto no Teatro de Crueldade que não tem palco, nem bancos, bilheteira ou paredes. Para funcionar, o TP deve ser categoricamente divorciado de todas as estruturas convencionais de consumo de arte (galerias, publicações, media). Mesmo as tácticas guerrilheiras Situacionistas de teatro de rua já estão muito bem conhecidas e esperadas, actualmente.
Uma requintada sedução levada adiante não apenas pela satisfação mútua, mas também como um acto consciente de uma vida deliberademente mais bela: este pode ser o Terrorismo Poético definitivo. O Terrorista Poético comporta-se como um aproveitador barato cuja meta não é dinheiro, mas MUDANÇA.
Não faça TP para outros artistas, faça-o para pessoas que não perceberão (pelo menos por alguns momentos) que o que acabaste de fazer é arte. Evita categorias artísticas reconhecidas, evita a política, não fiques por perto para discutir, não sejas sentimental; sê impiedoso, corre riscos, vandaliza apenas o que precisa ser desfigurado, faz algo que as crianças se lembrem para o resto da vida - mas sê espontâneo apenas quando a Musa do TP te tenha possuído.
Fantasia-te. Deixa um nome falso. Sê lendário. O melhor TP é contra a lei. Arte como crime; crime como arte
de Hakim Bey
ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas. Espetáculos pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos- telúricos como bizarros artefactos alienígenas espalhados em Parques Nacionais. Arromba casas mas, ao invés de roubar, deixa objectos Poético-Terroristas. Rapta alguém e fá-lo feliz. Escolhe alguém aleatoriamente e convence-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilómetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaí, ou uma coleção de manuscritos alquímicos. Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, & talvez, como resultado, seja levado a procurar uma forma mais intensa de viver.
Prega placas comemorativas em locais (públicos ou privados) onde experimentaste uma revelação ou tiveste uma experiência sexual particularmente especial, etc.
Anda nu por aí.
Organiza uma greve na tua escola ou local de trabalho, com a justificativa de que não estão a ser satisfeitas as tuas necessidades de indolência & beleza espiritual.
A Arte do grafitti emprestou alguma graça à metros horrendos & rígidos monumentos públicos. A arte Poético-Terrorista também pode ser criada em locais públicos: poemas rabiscados em casas de banho de tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte distribuída em pára-brisa de carros estacionados, Slogans em Letras Grandes em muros de playgrounds, cartas anónimas enviadas a destinatários aleatórios ou escolhidos (fraude postal), transmissões piratas de rádio, cimento fresco...
A reacção da audiência ou o choque estético produzido pelo Terrorismo Poético deve ser pelo menos tão forte quanto a emoção do terror: nojo poderoso, excitação sexual, admiração supersticiosa, inspiração intuitiva repentina, angústia dadaísta - não importa se o Terrorismo Poético é direcionado a uma ou a várias pessoas, não importa se é "assinado" ou anónimo; se ele não muda a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.
O Terrorismo Poético é um acto no Teatro de Crueldade que não tem palco, nem bancos, bilheteira ou paredes. Para funcionar, o TP deve ser categoricamente divorciado de todas as estruturas convencionais de consumo de arte (galerias, publicações, media). Mesmo as tácticas guerrilheiras Situacionistas de teatro de rua já estão muito bem conhecidas e esperadas, actualmente.
Uma requintada sedução levada adiante não apenas pela satisfação mútua, mas também como um acto consciente de uma vida deliberademente mais bela: este pode ser o Terrorismo Poético definitivo. O Terrorista Poético comporta-se como um aproveitador barato cuja meta não é dinheiro, mas MUDANÇA.
Não faça TP para outros artistas, faça-o para pessoas que não perceberão (pelo menos por alguns momentos) que o que acabaste de fazer é arte. Evita categorias artísticas reconhecidas, evita a política, não fiques por perto para discutir, não sejas sentimental; sê impiedoso, corre riscos, vandaliza apenas o que precisa ser desfigurado, faz algo que as crianças se lembrem para o resto da vida - mas sê espontâneo apenas quando a Musa do TP te tenha possuído.
Fantasia-te. Deixa um nome falso. Sê lendário. O melhor TP é contra a lei. Arte como crime; crime como arte
Luiz Pacheco
Acordo aos estremeções, aflito, com uma consciência muito nítida do encontro, e começo por fazer figas debaixo da roupa ao Intruso, mas depois, cheio duma superstição infantil (que me ficou da criança que fui, entenda-se), faço o sinal-da-cruz. E para não tirar as mãos debaixo do quente das mantas, engrolo gestos e palavras mesmo sobre o peito, à matroca, como um aprendiz de catequese faria. Sossego mais. Começo a pensar como morrerei. Desastre? colapso? ou loucura súbita e logo suicida? Adormeço nisto. Ao acordar conto ao Forte o meu sonho, para o esconjurar. Ou talvez para criar uma testemunha do meu presságio nocturno, se sair certo. Figas! Cruzes! Malandro! Canhoto! E logo eu, que gosto tanto da Vida! A caminheta dos livros segue para Braga; primeira paragem, em Esporães ou Esporões (2), outra terra a que perdi o nome (3) e depois Somar. Eis a grande revelação da jornada: Deolinda da Costa Rodrigues, 14 anos, no 3º ano do curso comercial, residente no lugar de Assento. Fico varado! Mas é a Lolita tal-e-qual do Nabokov, é a Super-Gêninha jamais esquecida.
Luiz Pacheco, Libertino que se passeia por Braga
Luiz Pacheco, Libertino que se passeia por Braga
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